Conto: O Príncipe, o Lobo e a Luz - Parte 2/4


  
 
  Recapitulando: Até aqui, nessa nossa história, conhecemos o Príncipe do reino desconhecido. Lemos que nosso jovem aventureiro decidiu corajosamente romper com as obrigações que tinha no palácio e foi se aventurar no Bosque dos Bosques, um local visto com péssimos olhos pela população do reino desconhecido. Também observamos que duas misteriosas figuras foram apresentadas ao Príncipe: o "louco" Meresh - que guarda a entrada do Bosque - e um lobo falante - dotado de grande sabedoria e que oferece uma "missão" ao nosso personagem principal. 
  
  Após uma pausa para descansar, o Príncipe se vê imóvel/preso no chão do Bosque. Contudo, uma curiosa voz se manifesta e inicia um diálogo com ele. Acompanhe agora a segunda parte desse mágico conto e o desenrolar dessa conversa...


  Para sua surpresa, uma resposta foi ecoada em tom sarcástico. Seguida de uma leve risadinha, alguém de algum lugar respondeu:

- Não é praga e nem é sono. Em parte é sagrado e em parte é profano hohoho.

- O que é isso? Quem vociferou estas palavras?

- Sou Alguém de Algum Lugar. Me comunico por rima para ao vento ecoar hahaha.

- Vem do além tal voz? Apareça, criatura!

- Apareço apenas aos que se conhecem, jamais aos que consigo se entristecem hehehe.

- Não me entristeço comigo. Sou um Príncipe. O Príncipe do reino desconhecido.

- Se mentes pra si, permaneces aqui hihihi.

- Não minto. Meus pais sempre me ordenaram dizer a verdade. Pra ela eu vivo e por ela eu morro, é o código de honra que temos.

- E o que é a verdade sem a maldade e a bondade? Se as torna em igualdade, transforma a realidade hehehe.

- Sou honesto em minhas palavras. És tu, Alguém, que me mantém preso ao chão da mata?

- Não consigo prender ninguém, muito pelo contrário, só liberto aquele que aqui vem.

- Pois então liberte-me! Preciso entregar esta fruta à Luz no fim do Bosque e tenho pressa.

- Luz no fim do Bosque? Por raios, pensei ter ouvido “whisky no fim com o bode” hehehe. Se confias em Alguém, Alguém liberta além. Se desejas encontrar El, libertarei você deste véu héu-héu-héu.

  De algum lugar houve um estalo de dedos e o Príncipe se viu livre do que o estava prendendo. Um pouco perdido, tentou encontrar de onde vinha aquela voz misteriosa e brincalhona. Não obteve sucesso.

- Obrigado por ter me libertado, Alguém! Gostaria de agradecer pessoalmente. Você não poderia aparecer?

- Sou uma criatura do bosque, apenas apareço àqueles que possuem conhecimento de si mesmo.

- Ei, a rima que fez agora não foi muito boa!

- Ah! A rima é apenas uma brincadeira. Sou uma criatura brincalhona. Estou certo de que já me viu em alguns jardins por aí.

- Você é um anão? Estou certo que sim. Posso quebrar a maldição que tens e transformá-lo em adulto. Posso até conseguir trabalho para você como ferreiro na nossa próxima batalha.

- Batalha? Quero distância da guerra dos humanos. Não sou criatura experimental, pois a mim declaro ser um elemental. 

- Pois então, se não és anão o que serias?

- Primeiro conheça a ti mesmo, depois queira nos conhecer. Se almeja chegar ao fim do Bosque, então desejas encontrar El.

- Quem é “El”?

- El é o começo de tudo. A origem das coisas e o seu fim. Esse Bosque o guiará e próximo do destino de encontrá-lo você está hahaha. Boa sorte, Príncipe do reino desconhecido.

  Houve mais um estalo de dedos e o Príncipe se encontrou novamente sozinho. A voz brincalhona já não estava mais presente e o que o Príncipe havia encontrado até então já era o suficiente para desafiar todas as coisas em que acreditava. Ouvia falar das fadas e dos elfos, mas nunca os conheceu. De outro modo, jamais ouviu falar de lobos falantes e conheceu um assim que entrou no Bosque dos Bosques. Para ele parecia estar óbvio que o Bosque era um lugar de desconstrução. Onde o tudo e o nada se combinavam em um. Onde “Alguém” de fato era algo e onde um louco parecia um sábio.

  O Príncipe caminhou por mais algum tempo, tempo este indefinido porque sempre variava de acordo com quem entrava no Bosque. O nosso jovem desbravador já estava quase caindo de sono quando encontrou uma atípica figura de um homem. Era alto, tinha cerca de 1,90 m e segurava um pedaço de madeira para apoiar sua coluna curvada. Tinha uma longa barba e aparentava ter não mais que uns 70 anos. Vestia uma longa roupa que ia até os pés e cobria todo o braço, com exceção das suas mãos. Os olhos cansados do idoso fitaram a expressão igualmente cansada do Príncipe e com extrema calma o senhor perguntou:

- Olá, meu jovem. Faz um calor nesse dia ensolarado, não?

Continua na parte 3!

Considerações do autor: E aí, leitor(a)! O que tem achado até aqui? Tem conseguido entender as referências presentes nessa história? Seus significados e símbolos? Fique tranquilo(a)! Quanto mais ela se aproxima do seu fim, mais fácil ela fica de ser entendida. Sugiro que faça uma releitura de tudo o que foi publicado até agora e comece a tentar encaixar as peças desse quebra-cabeça. Nos falaremos novamente na parte 3, onde será apresentado todo o desenrolar do encontro do nosso jovem aventureiro com o misterioso senhor. 

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