“Não mexa com ocultismo. Isso é coisa do diabo!”. Se
ouviu essa frase pelo menos uma vez na vida e mesmo assim se arriscou a mexer,
parabéns. A coragem é recompensadora e o conhecimento vem através daqueles que
ousam buscar por ele. Não é um que aqui escreve, são vários. Não é uma dupla, é
legião. Não é a Santa Trindade, mas a reconciliação dos três com a unidade
rebelada, a luz do conhecimento ou o fogo de Prometeu; o quaternário; é o
número da força.
Existem sete passagens para Shamballa, geograficamente
localizada em Gobi, espiritualmente ao redor de cada um, é impossível
acessá-las sem retornar à pureza das crianças. Os sete caminhos são os sete
dias do gênese resignificados. O reino da iluminação é como o reino bíblico,
não se acessa sem humildade e paciência. Não se chega a Kether sem se ajoelhar
humildemente no piso de Malkuth. Não se é mestre sem ser aprendiz e não se ensina
se não for eterno aluno. São dez somados à vinte e dois. Em adição à sentença, uma
esfera oculta, revelada para poucos. É Daaht! Torna o número absoluto em número
do martírio. O produto sobe tal como o espírito. Trinta e três é o seu final, a
plena consciência espiritual.
Não se assuste com o diabo deles. O “diabo” deles é uma
palavra vulgar e desacreditada. O diabo é o engano; é o truque; é a farsa. É
conceito e não prática. É a ação e não a personificação. É a face contrária do
divino. É o pretexto oposto da caridade, a ausência de Deus. Seu significado é
a ignorância, quando não iluminada pela sabedoria. É a centelha viciosa dentro
de nós que faz contraponto à centelha iluminada. É o que permite harmonia,
equilíbrio. E em totalidade é o que causa declínio, desalinho. Assim pensou Levi. Assim pensamos nós.
Enganados e sugestionados os que pensam que um bode faz
mal. Viciosos, tomados por ira ao desconhecido. Desbravadores em potencial que se
acostumaram ao pouco, ao letárgico. Injustos que vociferam blasfêmias. São
estes os que ordenam que os outros sigam o que nem mesmo eles conseguem seguir
por inteiro. Criadores de caos e defensores da ira. Psicologicamente abalados
por viverem privados da liberdade, com medo do pecado, do “diabo”, do “bode”. É
um arquétipo alquímico, símbolo iniciático, e não a figura do “demônio” dos
Templários queimados por vós, pagãos ‘civilizados’ e dos bons costumes. Que
pisam nas mulheres e as queimam até hoje por medo de perder a governança que o
falo falsamente proporciona. São vocês, e não nós, que alimentam as desigualdades.
“O que está acima é como o que está embaixo”. Tudo é
dualidade, assim tudo se rege. O cristianismo precisa de um anticristo; o microcosmo
precisa de um macrocosmo; “tudo é duplo, tudo tem dois polos, tudo tem seu
oposto. O igual e o desigual são a mesma coisa. Os extremos se tocam. Todas as
verdades são meias-verdades. Todos os paradoxos podem ser reconciliados.” Estes
são ensinamentos do ‘Três Vezes Grande’. Não há o que temer. Luz e trevas
coexistem. Em complemento, nos diz Madame Blavatsky: “A Luz Absoluta é Obscuridade Absoluta, e vice-versa. Bem e Mal são gêmeos, produtos do Espaço e
do Tempo, sob a influência de Maya.” E sem os apreciar, não há como os
perceber. Por isso os separamos mentalmente. Por isso nos limitamos e nos
orgulhamos de manter-se presos em nós mesmos. A comodidade deve dar lugar ao
desconhecido para que o que está em oculto venha a ser revelado, não para
orgulho próprio, mas para ajuda mútua.
Não é coisa do diabo, é coisa de gente ousada. É algo que
os que se julgam entendidos e não reconhecem sua ignorância humana preferem acusar de
heresia. Sempre esteve óbvio, começando por Moisés e terminando em João, desde
o somatório das forças da criação. É prático o esforço e satisfatório o
resultado: Adão é a força espinal e Eva é a força astral, ambos em colaboração
com seu microcosmo dirigem respectivamente nossa atenção para a vida mental (o masculino,
localizado no santuário da cabeça) e sentimental (o feminino, localizado no
santuário do coração). É nessa colaboração ideal entre spinalis e astralis que a
personalidade harmoniosa é produzida, se aproximando da realidade divina, rumo
ao saber cósmico. Este é só um exemplo do que está evidente, mas ai dos cegos
que preferem transformar alegorias em realidades e conhecimento em pecado.
De forma resumida, essa conexão harmônica do
masculino-feminino nos foi roubada e isso vira assunto pra outro momento, mas o
fato é que todos possuímos um potencial absurdo pra se aventurar nesse
restabelecimento de conexão. A natureza é o divino! Nós temos internamente a
fagulha que nos move a encontrar o significado das coisas. Então por que não
fazemos? Por que há medo? A aventura é longa e cansativa e esse texto não teve
nenhum objetivo de ser claro, mas sim de instigar aqueles que o leram a se
aventurarem no desconhecido. O universo clama por ajuda e acusar os que buscam
conhecer os mistérios do mundo de uma forma diferente só o faz derramar mais
lágrimas!
Abaixo seguem os livros
que serviram de base para construir o texto acima. Se for da vontade do leitor,
todos se encontram disponíveis para download pela internet.
Ø A
Fraternidade de Shamballa – J. van Rijckenborgh
Ø A
Chave dos Grandes Mistérios – Eliphas Levi
Ø Dogma
e Ritual de Alta Magia – Eliphas Levi
Ø O
Caibalion – Três Iniciados
Ø A
Doutrina Secreta – Vol.3 – Helena Blavatsky

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