A felicidade não deve ser
procurada no próximo, pois isso revela que a si mesmo lhe falta algo e o fato
de “o outro lhe completar” não passa de uma falácia que os romancistas incutiram na nossa mente. A infância, que por sinal me trouxe grandes
ensinamentos, é a que pode - em hipótese - libertar o homem de sua própria
mente deturpada e adulta e fazer com que nos completemos por conta própria, sem ter que achar "a nossa metade" em outro alguém. Fazer de tudo para manter uma mente pura e realizada é o maior
desafio da vida e o grande combate da vida crescida.
Quando as responsabilidades da vida adulta entram em confronto com sua
criança interior tudo o que podemos fazer é respirar e calmamente pensar: “O
que eu pequeno faria?”. E é óbvio que os desafios sempre irão aparecer, já que
até para um pequenino subir pela primeira vez na cadeira é uma experiência
única e desafiadora, também devemos resgatar essa paixão no demonstrar da felicidade quando
nós, adultos e jovens, conquistamos ou realizamos algo.
Particularmente sou extremamente fã de Peter Pan. Aqueles que enxergam
no personagem apenas um “jovem que não queria crescer” de fato não entenderam a
obra. Peter Pan é muito mais profundo e significativo. O problema não é que ele
não queria crescer, mas sim a dificuldade das pessoas interpretarem e assumirem que o maior
desafio era na verdade voltar a ser criança.
E o que era o amor para Peter? O próprio conto nos diz: “Ela (Wendy) lhe
contou histórias, ele a ensinou a voar. Amavam-se, mas ele não queria crescer.”
E você, jovem ou adulto, prefere se manter entretido nas histórias contadas do
cotidiano, nas notícias que saem para vender jornal ou voar, conquistar a sua própria liberdade, saber que até mesmo o amor não é algo de historinhas? E analisem, a
respeito desse sentimento tem muito mais sentido em amar como Peter – que queria
voar e ser livre – do que como Wendy – que queria viver presa nos contos de
histórias, no mundo ilusório construído pelos escritores de romances, esperando um príncipe encantado que possivelmente não apareceria.
Montesquieu nos escreve algo interessante em “O Espírito das Leis” e
embora o nosso assunto não seja sobre política podemos trazer tranquilamente
uma de suas citações para esse tema: “Todo homem que supostamente tem uma alma
livre deve ser governado por si mesmo”. Façamos então uma reflexão sobre a
história de J. M. Barrie: Não era Peter que não sabia amar, era Wendy quem amava
demais. Amava tanto que um relacionamento entre os dois custaria um preço impagável para Peter, o qual
jamais devemos negociar em qualquer relacionamento que seja: A Liberdade! Wendy se negou a viver a liberdade com Peter porque já havia uma forma "adulta" pré-estabelecida pela sociedade de "como se deve amar", e este modo para Peter era uma gigantesca prisão.
Me identifico imensamente com a infância de Michael Jackson, ela nos permite entender as razões pelas quais o famoso artista tinha como referência o personagem dos contos infantis. O mundo machucou Michael, arruinou sua vida, tirou sua liberdade e o trouxe diversas
vezes a memória de sua angustiante infância (que de fato ele nunca tivera).
Michael encontrou em Peter Pan o arquétipo da liberdade, poderia ser igual ao
personagem e com isso esquecer um pouco o mundo egoísta dos adultos, abraçando
o mundo puro das crianças e demonstrando uma ingenuidade fora do comum. E em certo grau ele estava certo. Seu despedaçado coração paradoxalmente guardava um amor pela humanidade que o mundo preferiu optar por não querer entender, mas sim julgar.
Se não resgatarmos a pureza e sentimento de liberdade das crianças,
jamais conseguiremos crescer como adultos. E se já crescemos, está na hora de
voltarmos à infância. Não ser bobo, mas arriscar de vez em quando um voo à
nossa própria Terra do Nunca, rumo ao autoconhecimento e sabendo que a nossa
liberdade jamais deve ser negociada com qualquer amor ou pessoa encontrada nas ruas da
vida.

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