Uma visão pessoal: O significado esotérico de Lúcifer


A religiosidade acostuma o homem; a Magia o confronta.
A religiosidade julga o homem; a Magia o abraça.
A religiosidade limita o homem; a Magia o expande.

  Religião e Magia são amigas inseparáveis e inimigas mortais.

  O cristianismo precisa de um anticristo e por isso o enxerga no que não o conforta. Toda imagem desconfortável é, pois, para o cristianismo a exposta figura de Lúcifer. Lúcifer, quanto portador da luz do conhecimento, é nada mais do que a etimologia de sua palavra revela. 

  Ora, pois não se surpreenda que Jesus também é Lúcifer. Embora um carregue a luz do conhecimento, o Messias cristão carrega a luz do amor, como demonstrado no Novo Testamento. Jesus é a concepção do amor ao próximo materializada; Lúcifer é, para os iniciados que assim compreendem, a luz do conhecimento e da razão imaterializada. 

  Não é de se admirar que o significado de seu nome foi alterado pela religião, que transformou o símbolo mater da liberdade em arquétipo definido do mal. E se tendes por mal o 'lucis ferre', automaticamente tem por aversão o conhecimento. Igualmente, se tens como inimigo Jesus, o cristo, há uma forte negação do divino e transformador poder alquímico do amor.

  Para a Teosofia, Lúcifer é só mais um dos anjos solares que desceu de Vênus (a famosa "queda" bíblica) para o nosso planeta trazendo princípios da mente e revelações arcanas. A visão teosófica, tanto de Blavatsky quanto do casal Bailey, entende que a queda não se deu por um pecado, mas sim em sinal de um grande sacrifício feito por estes anjos. Não curiosamente essa história se repete em outras crenças, como a história dos Anunnakis. 

  Percebe-se que ambos, Jesus e Lúcifer, sacrificaram-se por algo. Porém, só o primeiro é visto de forma positiva em maior parte da sociedade, enquanto que o segundo é tido como seu inimigo mortal e seu sacrifício é desconsiderado. Particularmente a resposta é mais simples do que se imagina: não há vilão ou herói; mal ou bem. O universo replica em nós o que nele há. Cogite, então, buscar em si o que macrocosmicamente é mais belo: o equilíbrio.

  A sustentação equilibrada sobre o pilar central deve ser resultado da soma de forças opostas. A consciência crística de Tiphareth é a perfeita simbologia originária para a chama astral. É a harmonia resultante da misericórdia de Chesed aliada ao rigor de Geburah, a sephirah do planeta Marte, o Ares grego.

  Esperamos que aqueles que possuem a visão externa do campo do ocultismo não generalize esse texto de forma tendenciosa. Essa é uma visão pessoal, silenciosa e que pode ser interpretada de várias formas. Em resumo, posso afirmar que não acredito em Lúcifer como o diabo cristão, mas sim como a divina revelação do conhecimento. É a mesma alegoria do fogo de Prometeu.

  Não adotemos a anarquia espiritual. A Magia, especialmente a cerimonial, é dogmática e igualmente revolucionária. Depende, portanto, da consciência do magista e da sua vontade em seguir as tradições. Para quem conhece, um pingo é letra: Egrégoras que fornecem ao estudante de ocultismo uma aparente anarquia são armadilhas espirituais. Nunca esqueçam que a anarquia pode supostamente existir no plano físico, como ato de rebeldia e aparente domínio do estudante, mas no plano astral sempre haverá uma ordem. É a popular Lei da Correspondência de Hermes Trismegisto.
  
  Aos dogmáticos da religião, não professo devoção ao "Anjo de Luz" e nem sigo correntes do luciferianismo. Acredito ser importante e delicado tocar em assuntos polêmicos como estes, pois há ainda muito que ser revelado de dentro do ocultismo para fora, logicamente até onde for permitido e de interesse daqueles que buscam a verdade. E certamente essas revelações são acompanhadas de desafios à fé pessoal que, como bom adepto do iluminismo, sinto a necessidade de instigar nos leitores desse blog. 





  

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