Quando começamos a estudar filosofia e decidimos começar pelos seus primeiros passos, nos deparamos com os chamados pré-socráticos. Dotados de vastos conceitos metafísicos e grandes iniciados nos Mistérios do Antigo Egito, esses homens enxergavam o mundo por outra ótica. Pitágoras certamente foi um destes nomes, pois introduziu de forma reestruturada um conceito geométrico que visava explicar a formação do universo e a expressão divina através da harmonia entre sons e a ciência dos números.
Seu esquema sobre o padrão criativo que permeia o universo através de uma emanação cósmica é até hoje usado por diversas Ordens Iniciáticas e ele consiste em nos revelar através de uma constante real algébrica irracional, isto é, um número real que não pode ser obtido pela divisão de dois números inteiros, o princípio máximo de sua teoria.
Essa mesma ciência foi utilizada na construção do Parthenon, nas obras de Da Vinci e Botticelli e nas divisões rítmicas das notas musicais das composições do francês Claude Debussy e do alemão Ludwig van Beethoven. Hoje, esse padrão cosmogônico é popularmente conhecido como Proporção Áurea, podendo também ser chamado de Número de Ouro. A nomenclatura de fato não importa, pois o conceito é o mesmo e muda-se apenas o nome que as Ordens Iniciáticas empregam.
A matemática envolvida no conceito da Proporção Áurea é extremamente complexa e abordar isto aqui de forma compacta se torna um desafio pesado. Portanto, a intenção deste texto é fazer com que o leitor se interesse pelo tema e perceba que os conceitos dos pré-socráticos perduram por séculos no imaginário da humanidade e tentam explicar o surgimento de vida em sua mais pura manifestação.
Os iniciados em Magia Natural ou na Wicca, por exemplo, em consequência acabam por tornarem-se grandes apreciadores de simbologia geométrica, ou como mais conhecida, Geometria Sagrada, presente até mesmo nas mandalas. Isto se deve ao fato de que a própria Natureza se manifesta através de padrões algébricos e geométricos que somados a vibração sonora dos cânticos entoados nos rituais originam atmosferas dimensionais que possibilitam a experiência positiva no Duplo-Etérico, afetando diretamente o psiquismo.
E não podemos parar por aí. As Ciências Astrológicas também utilizam do mesmo conceito, pois cada planeta carrega em si as vibrações de uma nota da escala musical e estabelece relações harmônicas que explicam a ligação alma-cosmo, o que possibilita a leitura de mapas astrais que apresentam, como observado por qualquer pessoa, uma configuração plenamente geométrica.
Ainda podemos ir mais fundo nos estudos Pitagóricos e pegar como outra fonte de seu conceito o famoso símbolo do pentagrama. Quando visto de forma rápida podemos não perceber os pequenos detalhes presentes nele, mas quando paramos para analisá-lo com calma (como de fato devemos fazer com qualquer símbolo de significado mágico) podemos perceber que as cinco pontas que representam os quatro elementos e o espírito/éter estão circundando um pentágono.
É comum que um alto nível de exigência quanto às medidas de linhas e círculos seja feita em algumas correntes mágicas, de forma mais amplificada ela o é na Magia Cerimonial. Torna-se inviável e perigoso esquecer qualquer detalhe na prática de evocação que utiliza algum símbolo, os resultados são desastrosos porque a manifestação perfeita deve atender as ordens de um Criador que fez o Universo com extrema perfeição e errar a proporção equivale a uma evocação equivocada.
Nesse caso, um pentagrama regular é construído a partir de traçados em diagonal que saem dos vértices de um pentágono que deve seguir uma exigência de medida. Quando tudo feito, temos mais uma manifestação da Proporção Áurea ou Número de Ouro, motivo pelo qual o próprio Pitágoras empregou o pentagrama como símbolo da Irmandade Pitagórica, uma das primeiras escolas a utilizar a tradição oral para transmissão de conhecimentos.
Obviamente que não contamos só com as descobertas de Pitágoras dentre os pré-socráticos, mas também com as de Tales de Mileto, que elaborou a teoria de que a água era a progenitora de todas as coisas e que toda a matéria possuía alma, fator que explicava - segundo ele - o magnetismo. No próximo texto iremos descobrir que o conceito utilizado por Pitágoras para definir a água como "mãe de todas as coisas" vem de um antigo conhecimento que só se tornaria mais popular e divulgado pelos judeus: a Cabala. Até lá, podemos definir que, em linguagem cabalística, a água para Pitágoras era nada mais nada menos que Shabatai ou Marah (O Grande Mar), um dos nomes da terceira Sephira no esquema da Árvore da Vida, assunto para outro post.

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