O texto sem autor, ou o texto do autor sem nome

  Estava um homem sentado na pedra mais alta daquele monte. Curvando sua cabeça para baixo, a balançava em sinal negativo. Foi quando se aproximou um outro homem, ficando de pé ao seu lado. Este segundo homem vestia roupas semelhantes às do sujeito sentado na pedra e carregava uma chave em suas mãos. Ele o encarou de cima e o perguntou:

- Pensativo, não é mesmo?

- Não. Nem um pouco. Vejo que minha missão foi feita com sucesso. Sente-se um pouco.
  
  O homem que estava de pé se sentou ao lado dele e voltou a questionar:

- Fez o possível mesmo? Talvez devesse ter ensinado o mal e não o bem,  pois é mais fácil de se aprender o primeiro que o último.

- Não vou discordar de você. Admito que está certo, mas não posso deixar de o lembrar que da fonte de onde emana tais forças não existe nem um e nem outro.

- Eu sei bem. Estas chaves que carrego nas mãos são as respostas que um dia eles buscaram e ainda irão buscar.

- Andaram em círculos. Sempre tentaram se encaixar em doutrinas quando a única doutrina de fato era o amor. Você poderia me explicar o que entende por liberdade?

- Mas é claro – o homem então deixou a chave no chão e puxou de dentro do bolso uma moeda – Veja! É notável por todo o povo deste mundo que isso nas minhas mãos possui duas faces. Observe que são dois lados do mesmo tamanho, portanto, iguais.

- Sei bem onde quer chegar. Continue, por favor…

- De acordo. Sigo dizendo que estas duas faces reluzem, de modo que se eu a mostrar para um homem qualquer ele me dirá que é nitidamente uma moeda. Mas eu proponho desafios e assim digo a eles: Se mostrar apenas o meio da moeda, isto é, a parte que separa as duas faces iguais, digam-me se ainda é uma moeda.

- Entendo. Já descobri que é sua hora...

- Exatamente. Prossigo com a minha explicação: Alguns jamais reconheceriam olhando apenas para a parte do meio que aquele objeto é o que é. Precisariam a segurar em suas mãos, talvez a girariam de um lado ao outro para observar o que pudesse vir a existir em ambas as faces e aí então poderiam constatar que é mesmo uma moeda – o homem a guardou no bolso, pegou a chave do chão novamente e se levantou com ar de despedida – A liberdade é como essa explicação.

- Irei lhe pedir um favor: Ensine-os a liberdade e os oriente no conhecimento. No momento em que conseguirem entender o suficiente, aí será a hora em que necessitarão de um Reparador. Pois a liberdade é complexa e deverá ser ensinada de várias formas. Portanto, da outra vez, usarei da mesma metáfora da moeda que empregou.

- Se assim faz necessário, não pretendo me atrasar. Qual seria o objetivo desta lição?

- É um mistério e nele estão escritas as maiores verdades do universo, que serão dadas aos homens de forma que só aqueles interessados no que aqui há poderão entender. Porém, aquele que teimar em viver na ignorância jamais decifrará tais enigmas.

- Faz necessária minha partida. Aqui eu sigo meu caminho.

- Vai. Cumpra o que lhe foi dado. Aponte a eles a via cardíaca e assim os poucos terão humildade para compreender o “complexo simples”.

  E, assim, o homem partiu. Com as chaves na mão, se atirou para ensinar aos homens a ciência e os mistérios do homem-espírito. Por muitos anos levaram o mundo a crer que bem e mal são coisas separadas. Esse vem sendo um dos atrasos da humanidade, que não conseguiu até hoje entender o que é liberdade, assim como jamais tentou entender o que é o amor.

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