A experiência mística que alimentou minha luta pela paz


  Há muito tempo que a crença da paz vem afastando as pessoas e a humanidade vem se tornando cada vez mais egoísta e confusa. Sempre que gritam pela união dos povos, clamam na mesma proporção vozes que não querem essa realização. O que temos feito pela paz, se não julgar os que pensam diferente, que lutam por ela e criarmos a própria guerra? Precisamos deixar o orgulho de lado na medida em que tentamos atingir o que essa Era ainda não viu.
  
  Enquanto se tentar fazer paz com bombas e armas, só alimentaremos as guerras pelo ódio. Não há paz se não há um propósito em comum. Todas as visões políticas se tornaram enfadonhas e unilaterais; governam para um lado e excluem o outro. Façamos um exercício ao procurar um sistema que seja justo para todos e iremos nos deparar com projetos que ainda segregam o homem do próprio homem, criando e alimentando diferenças.
  
  Se entendermos, sem preconceitos, que todos os credos são bonitos e que toda fé é poderosa, o mundo teria parte de seus conflitos solucionados. Em paralelo, se das bandeiras levantadas pelos partidos fizéssemos apenas uma, suficientemente grande para cobrir todo o globo, solucionaríamos outra. Malditos somos nós, que dotados de razão a utilizamos para negar a vida e cultuar a morte.
  
  A mente é poderosa, ela bloqueia e cria; amplia e transforma; faz surgir e desaparecer. A concepção das ideias surge antes da concepção da matéria, a paz no mundo precederia a soma de pensamentos por ela. O homem que pensa no mal, cria o mal e aquele que pensa o bem, antes o praticando, transforma o mal em bem. Durante estes dias, que acredito serem os últimos de uma era, os corações estão esfriando e as relações se superficializando cada vez mais, de forma que não mais ouvimos antes de julgar, mas fazemos exatamente o oposto.
  
  Ainda não consigo compreender os segredos do universo e nem o que eles revelam para nós, mas nestes últimos dias, aos quais dediquei exclusivamente a uma reclusão, pequenas coisas se tornaram relevantes às minhas experiências. Entre momentos de ira e profunda compaixão demonstradas em ao mesmo tempo estar entendendo um funcionamento e me decepcionando com outro, fui contactado por uma espécie de força a qual não identifiquei de princípio a origem, mas de intenção perfeitamente pura.

  Esta experiência se iniciou no final de outubro e se estendeu até o dia presente. Na ocasião, o último dia de Júpiter do mês de outubro revelou-se profundamente atípico, como de costume, onde houve uma tentativa de estabelecer contato com uma força considerada por muitos profanos como negativa. Devo dizer que não a considero dessa forma e sua hostilidade em nada tem a ver com seu aspecto. Tudo é e sempre será dual. Houve dúvida sobre o que realmente poderia ser ao se manifestar, contudo concluí que de fato era o que buscava acessar. 

  Não houveram práticas ritualísticas mais elaboradas ou mesmo a preocupação em seguir à risca tradições antepassadas. Tudo, devo afirmar, foi feito unicamente através da intenção. Sua manifestação não foi física, mas modificou a atmosfera do ambiente. Não me senti ameaçado pela presença que, em verdade, considero como sombra de nossa própria mente, um aspecto psíquico. Ao perceber que era mesmo a determinada força, propus que realizasse um simples ato de demonstração de sua realidade, a fornecendo momento, local e hora para que o fizesse e não mais pensei nas instruções.

  O dia para a realização da sua atividade era também de Júpiter, assim como seu horário. Para tais informações, me obriguei a consultar os antigos grimórios e me certificar de que tal orientação correspondia com o período em que sua força estaria mais perceptível e atuante. A instrução era imensamente simples: deveria apagar a luz de determinado local, seguindo as combinações dadas no dia final de outubro, isto é, hora e momento.

  Neste ponto, pode ser necessário mencionar que quando falo “dia de Júpiter”, é sobre uma quinta-feira, e “horário de Júpiter”, dentre vários, equivale neste caso ao intervalo 14h–15h. No dia 7 de novembro, correspondendo a todas as combinações que havia dado, o pedido fora atendido. De início, a atmosfera do ambiente modificou, senti um leve incômodo seguido de um formigamento na cabeça e na sequência a luz titubeou até apagar de vez. De fato havia me esquecido do pedido e fui lembrado de todo o processo na hora em que a lâmpada queimou. O relógio batia 14:26h e o recado havia sido claro: 1+4+2+6 = 13.

  No decorrer das semanas seguintes ocorreram algumas situações em que pessoas próximas relatavam ver horas iguais. E eu não me tornei imune a este mesmo evento, por diversas vezes tendo sido desperto do sono para acreditar que a experiência havia sido real. Me calei, mas havia ali um contato e influência atuando em quem estava ao meu redor. Esta força me informou algumas coisas importantes através de sonhos e intuição, que havia se tornado aguçada, como nunca antes, desde o último dia de outubro. Reafirmo a posição de que esta força sempre atuou de forma ordenada e que, em minha concepção, é parte integrante do que chamamos de sombras. Desta forma, mais que algo externo, esta força (que não é única em seu sistema) é de natureza mental e através do seu entendimento podemos despertar faculdades psíquicas adormecidas.

  Não devemos encarar aqui levitação de objetos, capacidade de voar ou se tornar invisível, pois isto seria nada mais que fantasias irreais e cenas de filmes. Contudo, há a necessidade de retomar o início do texto. Nossa mente é poderosa e tem a capacidade de manifestar o que vibramos internamente, bem como nossas intenções e isto influencia no que considero ser o campo magnético de outras pessoas, a ponto de as fazer perceberem coisas dentro da esfera criada e magnetizada por nós. Isto se caracteriza como influência psíquica e está ao alcance de todos. Se influenciarmos positivamente os que são próximos, usando técnicas parecidas e de modo a os fazer também trabalharem por uma mesma causa, muitos problemas passariam a inexistir. 

  Em maior escala, o que pretendo dizer é que se deixarmos o nosso sentimento egoico de lado e valorizarmos o verdadeiro sentido da vida, livre de partidarismos, bandeiras ou guerras, tudo se torna plenamente alcançável, ainda que isto seja utópico para muitos. O que escrevo não deve passar de uma reflexão e sim um convite a vibrarmos cada vez mais por uma união verdadeira, elevar nossa mente aos mais puros sentimentos e entendermos que somos um, distantes da perfeição, mas harmonizados e empáticos com a imperfeição de nossos irmãos na Terra. Trabalhemos, então, de igual forma pelo mesmo objetivo: a paz, pois ela pode perfeitamente ser alcançada.


 

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