Quando as páginas da Shonen Jump encaminhavam os sucessos de Slam Dunk e Dragon Ball ao seu fim, um pequeno desespero bateu nos empresários da editora japonesa. Afinal, que título poderia substituir os gigantes que estampavam lojas e mais lojas por todo o país? A esperança bateu na porta da revista de mangás quando um iniciante no mundo dos quadrinhos e fã de Akira Toriyama (autor e desenhista de Dragon Ball) surgiu do nada com uma história que falava de um bando de piratas em busca de um tesouro que ninguém sabe o que é. Tinha tudo pra ser só mais uma história sobre amizade e clichês, mas foi longe. Nesse caso, muuuuito mais longe que qualquer um poderia imaginar.
Quem assina o sucesso é Eiichiro Oda, que desde sempre parecia ter tudo programado na sua mente louca e criativa. Não demorou e logo o que começamos a ver nas páginas de sua obra estava ganhando um contorno cada vez mais sério e maior no Japão e fora dele. Era uma história que ao mesmo tempo que fazia o mais ranzinza ser humano dar risada, provocava também debates sociais e políticos ao redor do mundo. Isso vindo de uma sociedade conservadora como o Japão era com certeza um marco e assim continuou o sendo.
Hoje, One Piece é o mangá mais vendido do mundo, com impressionantes mais de 490 milhões de exemplares indo parar na estante dos leitores. Como se não bastasse esse número absurdo, a obra também é o quadrinho mais vendido do mundo, nesse caso ficando atrás apenas de Superman, que passa das 600 milhões de cópias comercializadas. No Brasil, não temos números exatos de vendas mas sabe-se que os primeiros volumes são difíceis de serem encontrados e aquele que dá a sorte de o achar, ainda deve desembolsar uma boa grana por eles.
Mas qual é a fórmula de sucesso de One Piece? São muitas. Algumas delas o fato de conseguir envolver o leitor em vários mistérios que tendem a desembocar no descobrimento de um tesouro escondido pelo falecido Rei dos Piratas, Gol D. Roger. Além disso, a presença de personagens com características muito diferentes e que possuem sonhos e motivações individuais para seguirem em uma viagem pelos mares dá um ar diferenciado à trama. Não esbarra no clichê de que todos querem o que o personagem principal quer, até porque o carismático protagonista Luffy preza pela liberdade de seus aliados e batalha junto pelos seus sonhos. Ninguém "catapulta" ninguém em One Piece e cada personagem se desenvolve de maneira exclusiva, cativando de forma diferente os leitores.
Poderíamos citar outras características que fazem de One Piece um quebrador de paradigmas no mundo dos mangás como: a importância que dá para as personagens femininas; a abordagem de temas como a homossexualidade; conflitos sociais, racismo e problemas políticos. Contudo, nem tudo são flores e a obra de Oda não obteve tanto sucesso assim no ocidente, muito pelo fato da empresa que comprou o anime para exibir nos EUA ser a mesma que a do famigerado Pokemon, o que acabou por infantilizar ao extremo a história dos nossos queridos piratas. Na animação ocidentalizada, armas foram trocadas por pistolas de brinquedos, cigarro foi trocado por um pirulito, frases e expressões foram alteradas e até mesmo o sangue foi removido. As censuras e cortes foram tantos que os episódios se tornavam curtos e precisavam juntá-los a outros para terem o tempo de tela necessário a ser exibido. A empresa dublou apenas 52 episódios, que chegaram ao Brasil pelo Cartoon Network e SBT, mas logo foram retirados do ar pelo fato de terem descaracterizado completamente uma das melhores histórias do mundo dos quadrinhos.
É por essas razões que vamos agora listar 10 motivos pelos quais One Piece é melhor que Naruto. Não queremos criar com essa lista uma confusão (apesar do título alarmista e assumidamente sensacionalista), mas expor os motivos pelos quais a história de Luffy e seus amigos merece tanta (ou até mesmo mais) atenção que a do nosso ninja que só sabe gritar. Entender ou ler a obra de Oda atualmente é abrir portas para discussões sociais muito sérias no mundo dos quadrinhos, que ainda é muito visto como um nicho da sociedade e algo não tão aberto assim para quem está de fora desta bolha poder participar e opinar. Depois dessa longa introdução, bora de lista:

1 – Protagonismo
Se você está cansado de obras onde o protagonista sempre vence uma luta ou
surge lá da ponte que caiu para lutar com alguém e roubar os holofotes de algum
personagem secundário, aqui você não encontrará isso. Luffy é um personagem que
é derrotado por diversas vezes, treina e retorna para suas lutas. Não é um
personagem absoluto, pois sempre temos ótimas lutas de outros membros do bando
dos Chapéus de Palha. E você acha que Luffy se mete nelas? Bem longe disso. One
Piece dá características únicas aos personagens e todos têm seus próprios
desafios. Nada de protagonista interferir na evolução pessoal do amiguinho.
2 – Mortes toscas
Na boa, que fã de Naruto não reconheceu a morte de Neji como algo
extremamente tosco?! Um dos personagens mais queridos dentre nossos ninjas,
morto por uma estaca de madeira. Qual é, Kishimoto?! Uma baita forçada pra
forçar emoção nos fãs de Naruto. Em One Piece as mortes (quando raramente acontecem)
são aceitáveis e mostram que o personagem realmente chegou no seu limite. Há
todo um preparo para que os fãs sintam aquela despedida e a gente sente mesmo.
Todo o calvário de Ace e os obstáculos que seu irmão teve que passar pra tentar
salvá-lo combinado com a morte icônica de Barba Branca salvando seu pupilo e
fazendo Luffy acreditar no legado de One Piece. Mano, se tem uma coisa que o
Oda sabe fazer é matar personagem no momento e tom certo. Já o nosso Masashi…Ainda
podemos acrescentar que vários personagens retornam à vida em Naruto só para
MORREREM DE NOVO E TENTAREM FAZER OS FÃS SOFREREM NOVAMENTE. Não dá, desculpa.
Forçado!
3 – História Pessoal X História
de uma Era
Naruto narra a história de, imaginem só, Naruto. Vemos o ninja evoluindo
para ser tornar o hokage e sabemos que isso acontecerá. Não nos preocupamos
muito em olhar para os outros personagens pois tudo gira ao redor do ninja
loiro. Em One Piece a história escrita que acompanhamos é de toda uma Era. Luffy e seus amigos
estão em busca de sonhos diferentes, mas todos se unem pelo mesmo propósito: a
liberdade que um pirata tem em um mundo completamente opressor. É a história de
um bando revolucionário em busca de algo que ninguém sabe ao certo o que é, mas
mesmo assim eles enfrentam tudo e todos pra realizarem um sonho. Não há
demérito na história de Naruto, mas em One Piece o cenário é maior, global,
envolvendo um personagem que está escrevendo a história de um novo curso para o
mundo e não apenas de uma vila.
4 – Personagens com profundidade
Em Naruto, temos o costume de dar importância para Naruto e Sasuke.
Apenas. Isso porque tudo gira ao redor dos dois, o que diminui drasticamente a
história de outros personagens secundários os tornando, em alguns casos,
genéricos e forçados. Como exemplo, temos um Gaara extremamente perigoso e
forte nos arcos iniciais, mas que após a primeira luta contra Naruto se torna um
personagem sem graça e que só aparece pra ser derrotado. Outro exemplo é a da
superação de Rock Lee, que após a luta contra o Gaara se torna outro personagem
aparentemente abandonado pelo resto da obra e que nunca volta a recuperar o
brilho de antes. E como não lembrar de Sakura, que vira uma pedra no sapato de
tão “qualquer coisa” que se torna.
Já na história dos piratas de One Piece, somos
apresentados a passados realmente trágicos, onde estão envolvidas perdas importantes
dos personagens secundários e que os motivam a seguirem rumo ao seu próprio
sonho individual. Nami viu a mãe ser assassinada e passou a ser explorada pelo vilão Arlong para desenhar mapas cartográficos, quando conseguiu sua liberdade
decidiu ter como sonho viajar por todos os mares com a finalidade de provar que
conseguiria fazer um mapa mundi. Em outro caso, Zoro perdeu sua amiga de
infância que o derrotava constantemente nos duelos de espada e em sua honra se
tornou obstinado em se tornar o melhor espadachim do mundo para honrar sua companheira. Nada de ninjas que
querem se provar fortes sem ninjutsu, mas que logo são esquecidos no roteiro ou
sei lá…Não me veio na cabeça mais nenhuma motivação verdadeira de um personagem
secundário de Naruto e me soa que na real eles mais involuem que evoluem,
enquanto a história foca cada vez mais na rivalidade Naruto x Sasuke e apaga todo o background e característica dos coadjuvantes.
5 – Múltiplos conflitos
Governo Mundial x Revolucionários; Marinha x Piratas; Piratas x Piratas;
Shichibukai x Marinha; Piratas x Shichibukai. One Piece nos apresenta confrontos
onde cada um tem seus ideais. Não importa se a função da Marinha é prender e
condenar piratas, se houver um marinheiro que entenda que os Piratas estão
servindo para um bom propósito, irão passar pano pra situação mesmo que corram
riscos. Não faz diferença se os Shichibukai são ordenados pela Marinha a
denunciar piratas, alguns irão usar sua posição para justamente fazerem vista
grossa e criar um tumulto interno nas instituições do Governo Mundial. É um mundo político
complexo, onde quem manda e quem recebe as ordens se inverte constantemente e
que tudo gira em torno de duas coisas: do poder e do tesouro One Piece.
É comum
aparecer traições, alianças improváveis e confrontos internos em One Piece, o que
faz da obra uma colcha cheia de detalhes que se entrelaçam só para os mais
atentos. Já em Naruto, tudo é bem previsível. Os inimigos são, inicialmente,
ninjas que são renegados ou fugiram de suas aldeias e que querem liberar todas
as bestas de caudas. Não há outros grandes conflitos e quando sobra apenas o
nosso amado Pain tudo fica muito mais óbvio e objetivo. Até, é claro, o momento
em que Kishimoto apela pra uma ameaça que nunca havia sido sequer mencionada
para resolver um problema de relacionamento entre Naruto e Sasuke. É uma
sequência de plot twist que não surpreende muita gente e que só torna a obra
mais arrastada e forçada. A velha história de querer segurar uma história para
lucrar até o último centavo, mesmo que não tenha mais o que contar.
6 – Longevidade bem suportada
Esse ponto se relaciona com o final do anterior, pois se Naruto cansou até os fãs mais apaixonados nos seus arcos finais, onde
toda hora havia uma reviravolta e o vilão “final” parecia que nunca ia
aparecer, One Piece brinca com o fato de estar há mais de 20 anos no mercado e
ainda assim apelar para que os fãs não queiram seu fim. Sim, grande parte dos
fãs de One Piece não querem que a obra acabe de tão boa e acolhedora que é. Com
o tempo você já se sente parte do bando do Luffy e o tesouro passa a ser apenas
uma vírgula no enredo e não o foco da história. O que a gente quer ver em
One Piece não é eles encontrando o tesouro ou o Luffy se tornando Rei dos
Piratas, pois sabemos que isso irá ocorrer em algum momento, mas sim a história sendo escrita. Queremos saber pra onde vai o
caminho de Zoro, Nami e Sanji; qual a relação de Gol D. Roger com Luffy; o que
significa o “D” nos personagens da série; o que houve no Século Perdido. One Piece te oferece um leque de
opções de “mistérios a serem resolvidos” e nunca dá ponto sem nó, sendo bem
comum resgatarem informações lá dos primeiros volumes para serem usadas nas edições
80, 90 etc. A sensação é de que você tá vendo que algo enorme está sendo contado
e que está sendo parte dessa história, mesmo sendo um mero leitor.
7 – Alívio cômico natural
Enquanto Naruto é um personagem que com o tempo perde seu tom
humorístico, se tornando um pouco mais sério, Luffy jamais deixa seu lado bobão de lado.
Aliás, essencialmente One Piece é um mangá de humor e depois, sim, de ação ou
aventura. As situações envolvendo a comédia são excelentes e as sacadas fantásticas.
As expressões cartunescas do traço diferenciado de Oda jogam uma carga satírica
muito alta em toda a obra e é raro achar algum personagem que não irá te
arrancar risos em algum momento. Naruto sustenta sua comédia no seu
protagonista e em Kakashi, enquanto nossos piratas possuem piadas pessoais que
definem a característica e os tira de um papel descartável. Por exemplo: a
piada pessoal de Usopp é que ele é um mentiroso e medroso, logo, nas suas lutas, é
normal ele ganhar “sem querer” e muitas das vezes fugindo de seus adversários
em situações que rendem muitos risadas aos fãs; também temos a piada do Zoro, que
tem um ar super sério e decidido, mas que não tem o menor senso de orientação e
se perde constantemente com facilidade nas situações mais improváveis
possíveis. Para não passar em branco, o que dizer de Brook, um esqueleto, que
vira e mexe faz piadas como: “Não acredito no que meus olhos estão vendo. Ah,
é, não tenho olhos yo-ho-ho”. O humor de One Piece se sustenta por anos e mesmo um certo ponto da história nos revelando que os personagens passaram por um processo de maturidade, ele ainda funciona bem, sem apelos e com a naturalidade dos seus anos iniciais.
8 – Sem torneios chatos
Todo anime ou mangá de luta tem pelo menos um torneio de batalhas que se
arrasta de forma chata ou simplesmente para seguir um clichê. São personagens secundários que temos certeza de que
irão perder e o protagonista será exaltado ao seu fim. Em One Piece não somos apresentados a algo dessa esfera. O único torneio é o que ocorre no Coliseu Corrida, onde Luffy entra
disfarçado e com um propósito muito maior que simplesmente se provar como algo.
Pelo contrário, ele estava ali por outros motivos (pelo menos dois diferentes).
O torneio chunnin de Naruto
é bom, mas esbarra na falta de coerência, afinal, após o time-skip todos se
tornaram chunnins, menos nosso ninja loiro. Mas como se só havia um por ano e
só o vencedor era elevado a chunnin? Parece que o Kishimoto precisava colocar
um torneio para não fugir dos padrões, mas esqueceu de suas próprias regras e
esbarrou em um furo de roteiro que poucas pessoas reparam. Umas por de fato só
ligarem para as lutas e outras porque jamais deram importância para o que ele valia
de fato, o que demonstra que Kishimoto estava dançando conforme a música. De
qualquer jeito, devemos concordar que o torneio não é ruim, apenas não tem um
objetivo lá muito concreto para ser realizado, sendo utilizado apenas como "ferramente de roteiro".
9 – Protagonista sem liderança
Aqui iremos apelar para um dos maiores recursos presentes e interessantes em One Piece.
Seria Luffy o capitão real de sua tripulação? Pela lógica do mundo real, sim.
Pelo que conhecemos da obra, não. Enquanto Naruto é o protagonista e também um
ninja que gosta de liderar e se colocar na frente das decisões, Luffy é um
personagem que confia nas decisões de seus amigos. Isso empurra para o papel de
capitão ninguém menos que Nami. E aqui temos um diferencial, porque uma importância gigantesca é dada para uma personagem do sexo feminino, coisa rara em obras japonesas.
Nami é a navegadora do bando, controla os mapas
e sempre está de olho no tesouro de outras embarcações. É com certeza a "mais
pirata" dentro da embarcação e o fato de estar sempre com as mãos no timão e
dando ordens quanto aos mastros e bandeira, representa mais um capitão que o
próprio Luffy. Isso faz dele um líder ruim? Não. Luffy não quer ser líder de
nada, ele só quer alcançar seu sonho e fazer com que seus amigos também
alcancem. Na verdade, ele é mais preocupado com a liberdade de seus amigos que
com as ordens que devem ou não receber. As decisões dele são as mais toscas e
incoerentes para um capitão: Se tem uma correnteza que joga os barcos para cima ao
invés de seguir o curso normal para baixo, beleza, vamos subir. Tem um pirata
tocando o terror em uma ilha e que é extremamente perigoso e muito mais forte
que o próprio Luffy? Bora lá salvar a ilha e que o tesouro One Piece espere um
pouco mais.
10 – História inclusiva, assuntos políticos e discussões sociais
Chegamos ao décimo ponto. Foi difícil juntar todos eles até aqui, mas
quero que saibam que curto ambas as obras. Naruto tem seus prós, assim como One
Piece tem seus contras. Contudo, a história desses piratas me emocionam num
nível que só de ouvir a primeira abertura do anime já começam a aparecer as lágrimas. Tem
um magnetismo forte na tripulação e por trás de tudo vemos um autor que põe o
dedo na ferida mesmo e pouco importa que seu povo seja tradicionalmente conservador. One Piece é inclusivo, coloca personagens
homossexuais e trans na história e não tem medo de dar importância grande para
eles, tal como de também tocar em assuntos como racismo e abuso de poder político. E isso deve ser muito considerado no universo dos quadrinhos, pois Oda trabalha com eles desde 1997 e sem o menor receio do que
irão achar, são assuntos que grandes marcas - como a Marvel - só começaram a explorar em
um momento bem recente.
Além disso, One Piece trata das mazelas de uma sociedade elitista e cheia de privilégios que
tenta oprimir quem pensa diferente ou preza pela liberdade. Percebemos algumas
cidades que são exploradas pelo Governo e Marinha; o quanto a palavra de um
tenryuubito (cidadãos de uma linhagem sanguínea que ditam tudo no mundo, são a nobreza da sociedade) pode ser válida, mesmo que injusta; o quanto as populações querem
mais justiça e menos terror e sangue…Enfim, é um espelho para nossa sociedade
sem igual e isso tudo vindo de uma obra que deveria ser só mais um clichê de
lutas no mundo dos mangás e animes. Em uma das cenas mais memoráveis da série, um leilão de escravos está ocorrendo em uma ilha e com aval da Marinha, quando Luffy descobre o poder que tem um tenryuubito e o quanto são injustos não tem medo em dar um soco na cara do cidadão, o que faz todo seu bando ser ainda mais procurado pelas forças governamentais. É literalmente um soco no racismo e Oda deixa isso muito claro para nós.
Não há algo assim em Naruto, que é uma obra fechada em seu próprio universo, mas que ainda assim trata de traumas como isolamento ou o peso de crescer sem uma família. Contudo, quando isso é solucionado, Naruto não se preocupa mais em tocar nos temas sociais de nossa realidade, nem mesmo sendo um enorme sucesso e com larga margem para o fazer. Claro que ninguém é obrigado a abordar isso em sua obra, mas não podemos deixar passar em branco o fato de Oda ter dado sua cara a tapa. Assim sendo, One Piece transcende muito os debates no seu próprio universo e é objeto de reflexão: ser pirata e lutar por seus sonhos em um mundo tirano e opressor é mesmo errado?



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