Um breve panorama sobre a Magia


  


  Quando se é criança, o senso comum espalhado pelo seio familiar tende a nos causar um certo limite para pensar. Embora de pouco em pouco a sociedade esteja seguindo rumo a um despertar espiritual grandioso (como bem nos diz os escritores da Nova Era), ainda encontramos um grande conservadorismo que limita o ser de evoluir e trava todo o desenvolvimento que inevitavelmente estaria pra nascer ali naquela pessoa. Por sorte, contamos com grandes contribuições ao longo dos anos para nos possibilitar estudar hoje sobre o fascinante mundo da Magia. E neste texto iremos falar brevemente sobre algumas das contribuições dos principais autores ocultistas ao longo dos anos, começando pelo "boooom" da Magia na sociedade francesa do século XIX.
            
  Em plena faculdade mental, Papus, o grande ocultista francês responsável por uma verdadeira reformulação nas bases do Martinismo, lançava em 1898 um clássico e fundamental livro para todo estudante ocultista: o “Tratado Elementar de Magia Prática”. Essa obra trata de assuntos essenciais para os futuros magistas, fala da adoção ao vegetarianismo, da privação de substâncias tóxicas e da padronização de exercícios de meditação e respiração, bases adotadas em seus anos de Rosacruz.
            
  Obviamente Papus não estava criando tudo aquilo do nada, já que via no seu "meio-contemporâneo", Eliphas Levi, um referencial para sua vida no mundo oculto da Magia. Enquanto Levi se preocupou em dar uma “ressuscitada” na Magia Cerimonial estabelecendo alguns processos baseados em Alquimia e Cabala, Papus flutuava por várias Ordens, bebendo de todas as fontes possíveis para montar a sua própria. As Ordens Martinistas atuais devem uma grande honra ao médico francês.
            
  Enquanto o movimento da Magia seguia forte na França pós-iluminismo e guiado em sua grande parte por homens, no País de Gales era uma mulher que se destacava. Dion Fortune, uma jovem estudante de Psicologia, mergulhava de forma bem aprofundada no complexo sistema da Cabala. Seu livro “Cabala Mística” é um poderoso aliado pra qualquer cabalista moderno. Fortune fazia questão de ser didática em seus livros, utilizava uma linguagem fácil compreensão e sem todo aquele “mistério alegórico” empregado pelos outros autores ocultistas.
            
  Dion Fortune foi ainda mais longe durante sua vida como escritora e tocou em um ponto que poucos ocultistas tocavam. Os anos de Rosacruz permitiram a Papus ter um grande conhecimento sobre alquimia e psiquismo, mas o seu foco era dado de forma majoritária aos princípios da magia. Do outro lado, Eliphas Levi decodificava códigos gemátricos, fazia estudos sobre numerologia, estabelecia uma poderosa utilização das cartas de tarô como conhecimento mágico, falava de evocações e alertava aqueles que pretendiam seguir a mão esquerda, mas ainda faltava algo…
            
  É aí que Fortune então nos fornece um pacote voltado não à utilização ativa da magia, mas ao seu caminho de proteção, exposto em seu segundo livro de maior sucesso “Autodefesa Psíquica”. O seu significado é grandioso para um mundo que até então era dominado por homens. Dion Fortune conquistou seu espaço e nos deixou de ensino um guia prático para se proteger de ataques mágicos.
            
  Paralelo ao surgimento de Dion Fortune, surgia o grande nome da magia do século XX. O nome que assusta até hoje os mais conservadores e faz barulho em toda Ordem iniciática: Aleister Crowley. Podemos dizer que ele fez de tudo, experimentou de tudo e se é objeto desagradável para muitos, foi igualmente de utilidade para todos do contexto ocultista. Crowley não só revolucionou o que se conhecia como magia como também lançou bases para o moderno ocultismo.
            
  Participou das mais variadas ordens, criou a sua própria (a Astrum Argentum) ao lado de Cercil Jones e ainda serviu de canal para nos revelar a mensagem presente no “Livro da Lei”. É difícil decidir qual a sua maior contribuição, mas entende-se que foi a criação de Thelema, uma doutrina (ou filosofia-religiosa) baseada no próprio “Livro da Lei” que ficou conhecida pela famosa frase: “Faz o que tu queres, há de ser tudo da Lei”. Aliás, temos um texto no blog falando exclusivamente sobre essa proposta de Crowley e você pode o conferir clicando aqui.
            
  Foi também “A Besta”, apelido que ele mesmo adotou de forma irônica durante sua juventude, que ajudou na disseminação das práticas de Magia Sexual, que serviram como referência para autores contemporâneos como Kenneth Grant. Falar de Crowley exigiria um texto exclusivo pois de fato há muita informação relevante sobre suas contribuições ocultistas. Como forma de desmistificar a sua monstruosa imagem criada pela mídia inglesa, podemos mencionar aqui um curioso fato sobre sua vida e que com certeza contribuiu para o mundo de forma geral:
            
  Sabe-se que Adolf Hitler era envolvido fortemente com organizações ocultistas e que em seu Reich distorcera os escritos da "Doutrina Secreta" de Madame Blavatsky para espalhar um anti-semitismo e racismo pessoal comum na Alemanha nazista. O que não se sabe de forma popular é que Crowley teria sido convocado por um intermediário de Winston Churchill para utilizar seu vasto conhecimento em Magia contra as forças utilizadas por Hitler no mundo astral. Isso culminou na derrota que a Alemanha sofreu e que, segundo nos conta a história parcialmente oculta, teria sido influenciada diretamente pelo próprio Crowley.
            
  Saindo do contexto Thelêmico, passamos rapidamente pelas perspectivas de um curioso mago de palco, o tcheco Franz Bardon. Bardon, ou Frabato - como também chamado - fez uma contribuição magistral ao mundo esotérico. Sua trilogia sobre o Hermetismo prático é até hoje estudada e debatida nos meios iniciáticos. O primeiro volume é uma das maiores obras envolvendo o estudo hermético, conhecido no Brasil como “O Caminho do Adepto”. Sua sequência é um livro que contém selos para evocações de anjos e seres elementais que podem auxiliar os magos de diversas formas e se chama “A Prática de Evocação Mágica". E por fim, finalizando seu grande legado, temos “A Chave para a Verdadeira Cabala”, nesse caso um livro que trata exclusivamente de Cabala Hermética.
            
  Na atualidade ainda há fortes produções literárias e desafiadoras no mundo da magia. A aplicação das novas tecnologias proporcionaram sistemas mágicos envolvendo o mundo digital e estudos de psicologia. Como forma mais recente de magia "psicológica" podemos citar a conhecida Magia do Caos. Baseada em mecanismos que “driblam” a consciência e facilitam a realização dos desejos, os caoístas ganham cada vez mais espaço nas redes sociais e vivem em constantes rivalidades com os ocultistas mais tradicionais.
            
  O maior ponto destas discussões está no fato de que o Caoísmo oferece uma liberdade ao magista, onde ele por si só é o agente mágico e controla as forças atuantes presentes nas práticas sem uma aparente preocupação com os métodos usados (mas ainda seguindo algumas práticas mais consolidadas como o banimento ou os sigilos). Esse é um ponto atrativo aos novatos no mundo da magia, mas uma perigosa porta que é constantemente implorada para ficar fechada pelos tradicionais.
            
  É altamente recomendável que os interessados na Magia do Caos tenham em mente o seguinte: se no plano físico você quer praticar magia sem lei (algo que por si só é questionável), entenda que pelo menos no plano astral sempre haverá uma hierarquia. Nada é bagunçado no ocultismo e quando você se coloca como seu próprio deus, automaticamente atrai forças igualmente “anarquistas”. Como diriam os velhos: Primeiro a mão direita, depois a mão esquerda. Não se iluda pela suposta facilidade Caoísta. O sistema como um todo funciona, mas jamais o utilize sem o devido preparo. Como recomendação, o livro dos "40 Servidores" de Tommie Kelly pode ser uma boa base para este tipo de Magia.
            
  Assim, chegamos ao final de mais um texto. Apesar de longo, não mostramos aqui nem mesmo 1/3 da história da Magia. Ainda temos muito que tratar sobre esse assunto e deixamos propositalmente de fora nomes importantes como Annie Besant, Alice Bailey, Charles Leadbeater e Helena Blavatsky pois em breve teremos um texto voltado à Teosofia e Nova Era. Esperamos que tenham gostado dessa rápida passagem pelas contribuições de alguns dos maiores ocultistas de todos os tempos. Até breve, Iluminado! .´.


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